Metodologia SORA no estudo aeronáutico da segurança dos drones

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Qual é a metodologia SORA no estudo aeronáutico da segurança dos drones?

O estudo de segurança aeronáutica é um dos documentos chave que todos os operadores de aeronaves devem realizar. Num outro artigo explicamos o que é este estudo e porque é importante no sector UAS. Desta vez, vamos mergulhar na metodologia SORA, um aspecto fundamental que vale a pena conhecer em pormenor.

Índice de contidos

Qual é a metodologia SORA?

Como parte do seu objectivo de normalizar a coordenação e regulamentação do espaço aéreo da União Europeia, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) recomenda aos operadores de aeronaves que adoptem a metodologia SORA para o desenvolvimento de estudos de segurança aeronáutica.

SORA é um acrónimo que significa Avaliação de Riscos de Operações Específicas. É uma abordagem desenvolvida por JARUS (Joint Authorities for Rulemaking on Unmanned Systems), um organismo internacional de peritos em regulamentação da aviação.

Os seus membros incluem a EASA e a Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea (conhecida como Eurocontrol).

O método SORA consiste num conjunto de directrizes, tanto para autoridades competentes como para operadores de aeronaves, sobre os requisitos necessários para que uma autoridade nacional de aviação aprove voos UAS sobre certas condições operacionais.

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SORA: passo a passo

1. Descrição ConOps

ConOps significa Concept of Operations (Conceito de Operações). Isto inclui toda a informação relevante sobre o sistema, operações e detalhes técnicos necessários para avaliar os riscos associados à operação pretendida. Inclui aspectos tais como a rota, espaço aéreo, interface ANSP (Air Navigation Service Provider) e muito mais.

2. GRC Intrínseco

GRC é o acrónimo de Ground Risk Class (Classe de Risco Terrestre). Refere-se ao tipo de risco no desembarque (numa escala de 1 a 10). Isto é determinado com base no peso e nas dimensões físicas da aeronave, tendo em conta, além disso, as condições específicas de cada operação.

3. GRC final

O GRC final é definido com base em certos aspectos relacionados com a concepção que podem ter um efeito significativo sobre o risco colocado pela própria aeronave. Além disso, são consideradas três medidas de mitigação:

  1. Medidas estratégicas de mitigação baseadas no amortecimento da aterragem e na densidade da população potencialmente afectada.
  2. Medidas de mitigação destinadas a reduzir os efeitos do impacto da aterragem.
  3. Um plano de resposta de emergência para abordar e limitar os efeitos de uma operação fora de controlo.

4. ARC inicial

A classe inicial de risco aéreo é avaliada tendo em conta o espaço aéreo solicitado no primeiro passo. Os factores determinantes são: espaço aéreo atípico (por exemplo, segregado) ou típico, altitude, presença de controlo de tráfego aéreo, proximidade de aeroportos e espaço aéreo sobre ambientes urbanos ou rurais.

5. ARC residual

O ARC residual mede o risco aéreo remanescente após terem sido aplicadas medidas de mitigação. A metodologia SORA considera dois tipos de medidas estratégicas de mitigação:

  • Restrições operacionais controladas pelo operador.
  • Medidas de mitigação estabelecidas e controladas pelas autoridades competentes.

Em ambos os casos, as estratégias de mitigação são aplicadas antes das operações.

6. TMPR e níveis de robustez

O Requisito de Desempenho de Mitigação Táctica (TMPR), juntamente com os níveis de robustez, refere-se às funções de detecção, decisão, comando, comando, execução e feedback para cada tipo de risco aéreo.

Estas são mitigações tácticas que são aplicadas durante a operação e visam amortecer qualquer risco residual para uma potencial colisão em altitude média que possa ocorrer após a aplicação de mitigações estratégicas.

7. Determinação da SAIL

O Nível Específico de Garantia e Integridade é estruturado numa escala de 1 a 6. Este indicador é medido com base nos ConOps propostos e na consolidação do GRC final e do ARC residual.

8. Identificação de OSOs

Neste caso, o operador deve demonstrar que a SAIL atribuída está de acordo com os 24 objectivos de segurança operacional (OSOs), embora em alguns casos certos objectivos possam ser opcionais. Cada OSO deve estar de acordo com os níveis de robustez (Alto, Médio e Baixo) exigidos pela SAIL. Os OSOs abrangem aspectos como erro humano, condições ambientais adversas, deterioração de sistemas externos e complicações técnicas das aeronaves.

9. Área adjacente / Considerações sobre o espaço aéreo

Isto é para considerar os riscos colocados pela perda do controlo operacional em áreas adjacentes à área de operação estabelecida, tanto no solo como no ar.

10. Carteira de segurança integrada

A carteira de segurança global consiste na apresentação do estudo SORA às autoridades competentes antes da autorização final. Este documento contém a informação:

  • Mitigações utilizadas para modificar o GRC intrínseco.
  • Mitigações estratégicas para o ARC inicial.
  • Mitigações tácticas para o ARC residual + considerações de área adjacente / espaço aéreo.
  • OSO.

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Todos estes passos podem ser um pouco intimidantes para mais do que um operador de drone. É por isso que a nossa equipa de gestão aeronáutica está sempre pronta a prestar assistência na realização de estudos de segurança aeronáutica e na preparação de todo o tipo de documentos para apresentação à EASA.

Se quiser saber mais sobre isto, ligue-nos para o 308 806 301 ou escreva-nos para info@cursodedrones.pt. Não hesite em expressar a sua opinião ou partilhar a sua experiência nos comentários.

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